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O Método “Ser, Ter e Fazer” no Desenvolvimento Pessoal e Profissional

setembro 9, 2024 11 min de leitura 0
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Tempo: 11 min Tipo: Reflexão Nível: Moderado

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Em um mundo em constante transformação, o desenvolvimento pessoal e profissional demanda uma abordagem equilibrada e estruturada. O método “Ser, Ter e Fazer” surge como uma ferramenta poderosa que integra essas dimensões, ajudando as pessoas a alcançarem uma vida mais plena e significativa. Este método foca em três pilares fundamentais: quem você está se tornando (Ser), os recursos que você possui ou precisa adquirir (Ter) e as ações que você realiza para alcançar seus objetivos (Fazer). Quando integrados, esses componentes promovem um crescimento sustentável e holístico, permitindo o desenvolvimento pessoal e profissional de forma alinhada e coerente com seus valores.

Essa abordagem oferece uma visão clara e prática sobre como o desenvolvimento não se limita a um aspecto isolado da vida, mas é um processo interligado e constante. Ao se concentrar simultaneamente em quem você é, o que você tem e o que faz, você cria uma base sólida para avançar de maneira consciente e intencional. Este método é uma estratégia eficaz para quem busca não apenas sucesso profissional, mas também realização pessoal.

Ser: Foco no Desenvolvimento Interno

O primeiro pilar, o Ser, refere-se ao desenvolvimento das qualidades internas, como caráter, mentalidade e valores. Ele enfatiza quem você deseja se tornar ao longo de sua jornada de vida, e no contexto do desenvolvimento pessoal, envolve a aceitação de emoções, a introspecção e a expansão da autoconsciência. Para o filósofo Erich Fromm, o “Ser” envolve uma vida autêntica, orientada por valores, virtudes e um senso de propósito. Na prática, o “Ser” vai além das aparências e conquistas externas, conectando-se ao crescimento interior e à essência do indivíduo.

Desenvolver o “Ser” é um processo contínuo que exige reflexão sobre suas atitudes e crenças. Uma forma de praticar isso é fazer perguntas como: “O que me motiva?”, “Quais são meus valores fundamentais?” ou “Estou vivendo de acordo com o que acredito?”. Essas reflexões diárias ajudam a construir uma base sólida para o autoconhecimento e o desenvolvimento de uma mentalidade voltada ao crescimento. Um exemplo prático seria utilizar a meditação ou o journaling (diário de reflexões) para explorar pensamentos e emoções, criando maior clareza sobre quem você está se tornando.

Fromm também alerta para os perigos de uma sociedade focada no “ter”, que prioriza bens materiais e realizações superficiais, muitas vezes em detrimento do desenvolvimento genuíno do ser. No âmbito profissional, essa visão nos lembra que o sucesso não deve ser medido apenas por promoções e resultados financeiros, mas pelo impacto que causamos no mundo e pelo nosso crescimento pessoal. Fortalecer o “Ser” significa criar uma base para uma vida autêntica, alinhada com seus valores mais profundos e com o que você acredita ser verdadeiramente importante.

Ter: As Ferramentas e Recursos Necessários

O segundo pilar, o Ter, refere-se à aquisição de ferramentas, recursos e conhecimentos que apoiarão sua jornada de desenvolvimento. Isso pode incluir desde habilidades técnicas e materiais até redes de apoio social e emocional, como mentores e coaches. No entanto, é fundamental compreender que esses recursos não devem ser vistos como um fim em si mesmos, mas como meios que possibilitam o crescimento e a realização pessoal e profissional.

No contexto prático, o “Ter” pode ser exemplificado pelo desenvolvimento de habilidades específicas para a sua área de atuação. Se você deseja ser um profissional mais competente, adquirir cursos, ferramentas de produtividade e livros é um caminho válido. Da mesma forma, construir uma rede de contatos que ofereça apoio e feedback também é um recurso valioso para o crescimento. A chave aqui é usar esses recursos para alimentar o seu “Ser” e apoiar as ações que você tomará no pilar “Fazer”.

Na filosofia de Fromm, o “Ter” é um conceito que, quando utilizado de maneira equilibrada, tem um papel importante na vida humana. O risco é quando o “Ter” se torna o objetivo final, desconectado do “Ser”. Os recursos que acumulamos devem servir para apoiar o nosso desenvolvimento interior e nos impulsionar a agir de maneira significativa. Por exemplo, aplicativos de meditação, além de serem ferramentas tecnológicas, são instrumentos que promovem a atenção plena e o desenvolvimento da clareza interior, ajudando a pessoa a se conectar melhor consigo mesma e com suas metas de vida.

Fazer: Ação Concreta e Implementação

O terceiro pilar, o Fazer, é onde o método se transforma em ação. De nada adianta desenvolver-se internamente (Ser) e possuir os recursos necessários (Ter) se essas conquistas não forem transformadas em ações concretas. O Fazer envolve tomar decisões, agir de forma deliberada e implementar as mudanças necessárias para alcançar seus objetivos. Esse é o momento em que as intenções se materializam, e é a ação que define o caminho para o sucesso.

Por exemplo, se alguém deseja iniciar um novo projeto profissional, o planejamento é essencial, mas o próximo passo é crucial: a implementação das ações necessárias. Isso pode incluir a criação de um cronograma de atividades, dividir as tarefas em etapas menores ou buscar parcerias estratégicas para garantir a execução. Sem ação, os planos permanecem apenas ideias no papel. É nesse ponto que o Fazer se torna vital para traduzir intenções em resultados.

O Fazer não se resume à simples execução de tarefas; envolve agir de acordo com o que você valoriza e com quem está se tornando. Esse pilar está intimamente ligado ao conceito de praxis, que, em termos filosóficos, representa a prática orientada pela reflexão. No contexto da diaconia profética, a praxis destaca a importância de ações que transformam tanto a sociedade quanto o próprio indivíduo. Por exemplo, ao planejar sua carreira ou vida pessoal, as ações devem ser alinhadas com seus valores e aspirações mais profundas, garantindo que cada passo leve à evolução interior e ao cumprimento de seu propósito de vida.

A Integração de “Ser”, “Ter” e “Fazer” com a Roda de Deming

A Roda de Deming, também conhecida como ciclo PDCA (Plan, Do, Check, Act), oferece uma abordagem complementar ao método “Ser, Ter e Fazer”. Ao integrar esses conceitos, cria-se um ciclo de melhoria contínua que equilibra o desenvolvimento pessoal e profissional, permitindo ajustes constantes para manter o alinhamento com seus objetivos e valores.

  • Planejar (Plan): O planejamento se conecta ao “Ser” e ao “Ter”, equilibrando a definição de metas com uma reflexão sobre seus valores e o que você quer se tornar.
  • Executar (Do): Na execução, o “Fazer” materializa-se, utilizando os recursos adequados e agindo de acordo com o propósito maior, sempre focado em quem você está se tornando.
  • Verificar (Check): A verificação analisa tanto os recursos acumulados (Ter) quanto o crescimento pessoal (Ser), garantindo que a execução esteja alinhada com seus valores.
  • Agir (Act): Na fase de ação, ajustes são feitos para garantir que o “Fazer” continue em harmonia com o “Ser” e que os recursos adquiridos estejam sendo bem aproveitados.

Exemplos:

Desenvolver uma nova habilidade profissional, como aprender a falar em público, utilizando os três pilares do método.

Planejar (Plan): Fase do Ser e Ter em equilíbrio

No ciclo PDCA, o planejamento começa com uma reflexão sobre quem você deseja se tornar (Ser) e o que você precisa adquirir para isso (Ter). Nesse caso, você decide que quer se tornar uma pessoa mais confiante e eficaz ao falar em público, tanto para aprimorar sua carreira quanto para seu desenvolvimento pessoal. Para isso, você define que precisa adquirir conhecimento técnico sobre oratória e recursos como treinamentos específicos ou um mentor que possa orientá-lo.

  • Ser: Você deseja se tornar mais confiante e influente nas suas apresentações.
  • Ter: Para isso, precisa de recursos como livros sobre oratória, cursos de técnicas de apresentação e apoio de um mentor especializado.

Executar (Do): O Fazer orientado por valores

Aqui, o planejamento se transforma em ação. A fase “Fazer” envolve participar de um curso de oratória, praticar regularmente as técnicas aprendidas e buscar feedback para melhorar. Você também utiliza os materiais que adquiriu, como livros e vídeos, para aprofundar seu conhecimento e simula apresentações para desenvolver a prática.

  • Fazer: Inscrição em um curso de oratória, prática diária de apresentações e busca de feedback contínuo.

Verificar (Check): Reflexão sobre o Ser e o Ter

Na fase de verificação, você revisa seu progresso tanto no aspecto técnico quanto no pessoal. Isso envolve avaliar se está ganhando mais confiança (Ser) e se os recursos que você adquiriu (Ter) estão sendo úteis. Por exemplo, você pode gravar suas apresentações e assistir para verificar o que melhorou e o que ainda precisa ser ajustado.

  • Ser: Avaliar se você está mais confiante e confortável ao falar em público.
  • Ter: Verificar se os recursos, como o curso e o mentor, estão efetivamente contribuindo para o seu progresso.

Agir (Act): Ajustando o Fazer

Com base na análise, você ajusta o que for necessário. Talvez perceba que precisa de mais prática em situações reais, como falar em reuniões ou eventos, ou que precisa investir em um curso mais avançado para aprimorar suas técnicas. O Fazer é então ajustado para continuar o progresso.

  • Fazer: Se os resultados não forem satisfatórios, você pode aumentar a prática ou buscar novos cursos, mantendo o foco no seu objetivo de melhorar sua comunicação em público.

Um outro exemplo é definir um propósito de vida pessoal:

Planejar (Plan): O Ser e o Ter em Equilíbrio

Definir um propósito de vida começa com uma profunda reflexão sobre quem você deseja se tornar (Ser) e o que você precisa adquirir (Ter) para atingir esse propósito. Nesta fase, você pode se perguntar: “Quais são meus valores fundamentais?”, “O que me traz satisfação verdadeira?”, ou “Como quero impactar as pessoas ao meu redor?”. Você decide que seu propósito de vida é ajudar outras pessoas a se desenvolverem emocionalmente, utilizando seus conhecimentos em psicologia.

  • Ser: Você deseja se tornar uma pessoa que promove o crescimento emocional e psicológico de outros.
  • Ter: Para isso, você precisa adquirir recursos como formação especializada em psicologia, leituras sobre inteligência emocional e práticas de autoconhecimento.

Exemplo Prático:

  • Participar de sessões de autoconhecimento ou retiros de reflexão pessoal para definir seus valores e missão de vida.
  • Buscar materiais que ajudem a clarear seu propósito, como livros, podcasts ou palestras de autores que tratam de propósito, como Viktor Frankl.

Executar (Do): O Fazer Orientado por Valores

Agora que você identificou o seu propósito de vida e os recursos necessários, é hora de agir. Neste exemplo, você começa a aplicar seu propósito ajudando outras pessoas por meio de pequenos gestos, como orientações, escuta ativa e suporte emocional. Ao mesmo tempo, você busca aprimorar suas habilidades por meio de um curso de psicologia ou desenvolvimento emocional.

  • Fazer: Implementar ações que reflitam o propósito, como oferecer apoio emocional a amigos e familiares, participar de grupos de voluntariado, ou realizar sessões de aconselhamento informal.
  • Exemplo Prático: Envolver-se em ações voluntárias em ONGs que trabalham com saúde mental ou emocional.

Verificar (Check): Reflexão sobre o Ser e o Ter

Nesta fase, você analisa se está progredindo em direção ao seu propósito. Isso inclui revisar se as ações que você está realizando estão alinhadas com quem você deseja se tornar (Ser) e se os recursos que você adquiriu (Ter) estão realmente ajudando a concretizar seu propósito.

  • Ser: Você reflete se está se tornando uma pessoa mais centrada, empática e capaz de ajudar emocionalmente quem precisa.
  • Ter: Verifica se os cursos e leituras estão efetivamente ampliando suas habilidades e se as ferramentas adquiridas estão sendo úteis no processo de ajudar as pessoas.

Exemplo Prático:

  • Fazer uma autoavaliação periódica (como um diário ou sessões de feedback com um mentor) para entender se está alcançando os objetivos definidos e se sente satisfação pessoal.

Agir (Act): Ajustando o Fazer

Com base na sua análise, você pode perceber que algumas ações precisam ser ajustadas. Talvez você note que precisa adquirir mais habilidades técnicas para ajudar melhor as pessoas, ou que precisa ampliar seu impacto oferecendo serviços de aconselhamento formal. Nessa fase, você adapta seu plano de ação para continuar em direção ao seu propósito de vida.

  • Fazer: Reajustar suas atividades. Talvez você precise buscar uma certificação formal em psicologia ou ampliar seu trabalho de voluntariado.
  • Exemplo Prático: Se as ações que você está realizando não estão gerando o impacto desejado, você pode buscar uma formação mais profunda ou iniciar um projeto pessoal, como um grupo de apoio emocional.

Conclusão: O Equilíbrio entre Ser, Ter e Fazer

Integrar os pilares do Ser, Ter e Fazer com a Roda de Deming proporciona um sistema de desenvolvimento contínuo, que equilibra progresso pessoal e profissional. O Ter é importante, mas deve sempre fortalecer o Ser, e o Fazer deve ser uma manifestação autêntica de quem você está se tornando. Dessa forma, suas ações, conquistas e desenvolvimento pessoal estarão sempre alinhados, criando uma vida mais rica, gratificante e com propósito.

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